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Arqueólogos encontram inscrição de 3 mil anos com o nome de Gideão, juiz bíblico de Israel

Uma inscrição datada de 3.100 anos com o nome do juiz bíblico Jerubaal — dado a Gideão por ter destruído o altar de Baal — foi descoberta nas escavações em Khirbat er-Ra’i, no sul de Israel. O anúncio foi feito pela Autoridade de Antiguidades de Israel na segunda-feira (12).

É a primeira vez que o nome Jerubaal é encontrado fora do texto bíblico. Se for comprovado que a inscrição realmente se trata de Gideão, esta seria a primeira evidência de um nome das histórias bíblicas dos juízes.

As inscrições desse período (entre o século 12 e 11 a.C.) são extremamente raras. Toda a datação foi realizada através da tipologia da cerâmica e radiocarbono de amostras orgânicas encontradas na camada arqueológica.

A escrita foi feita com tinta em um jarro, que acredita-se pertencer a seu dono.

“O nome Jerubaal é conhecido pela tradição bíblica no Livro dos Juízes como um nome alternativo para o juiz Gideão ben Yoash”, de acordo com o Prof. Yosef Garfinkel e o arqueólogo Sa’ar Ganor, da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Garfinkel e Ganor dirigem as escavações com o Dr. Kyle Keimer e o Dr. Gil Davies, da Universidade Macquarie em Sydney, na Austrália — uma parceira na escavação junto com a Autoridade de Antiguidades de Israel.

“Gideão é mencionado pela primeira vez [na Bíblia] combatendo a idolatria, quebrando o altar de Baal e cortando o poste de Aserá”, explicaram eles. “Na tradição bíblica, ele é lembrado como alguém que triunfou sobre os midianitas e que costumava cruzar o Jordão para saquear as plantações agrícolas. De acordo com a Bíblia, Gideão organizou um pequeno exército de 300 soldados e atacou os midianitas à noite perto de Ma’ayan Harod.”

A inscrição, que foi decifrada pelo especialista epigráfico Christopher Rolston, da Universidade George Washington, traz cinco letras: yod, resh, bet, ayin, lamed.

O fato da afiliação cultural do local não ser israelita não exclui que a inscrição se refira ao Jerubaal mencionado na Bíblia. Os pesquisadores enfatizaram que não pode haver certeza em uma direção ou em outra. Mas mesmo que o nome realmente se refira a outro Jerubaal, o artefato ainda lança uma luz importante sobre a conexão entre o texto bíblico e o período dos juízes.

“Tendo em vista a distância geográfica entre Sefelá e o Vale de Jezreel, esta inscrição pode referir-se a outro Jerubaal e não ao Gideão da tradição bíblica, embora não se possa excluir a possibilidade do jarro pertencer ao juiz Gideão”, disseram Garfinkel e Ganor. “Em qualquer caso, o nome Jerubaal era evidentemente de uso comum na época dos juízes bíblicos.”

“Como sabemos, há um debate considerável sobre se a tradição bíblica reflete a realidade e se é fiel às memórias históricas dos dias dos Juízes e dos dias de Davi”, acrescentaram.

Ligação bíblica com o local das escavações

Khirbat er-Ra’i é escavado desde 2015. Segundo Garfinkel, o local já era conhecido pelo levantamento feito por arqueólogos britânicos no século 19.

A equipe decidiu renovar as escavações porque, na superfície do local, encontraram cerâmica muito semelhante aos artefatos descobertos em Khirbet Qeiyafa, uma antiga cidade fortificada da época do rei Davi — por volta do século 10 a.C.

“Achamos que poderíamos encontrar outra fortaleza, mas em vez disso, encontramos seis salas que datam daquele período, então parece que naquele momento, poderia ter sido apenas uma pequena vila”, disse o arqueólogo.

No entanto, descobriu-se que aquele local parecia ter atingido seu auge um ou dois séculos antes, ou seja, na época dos Juízes.

Khirbat er-Ra’i está localizado perto de um importante sítio arqueológico, onde ficava um centro, frequentemente apresentado na Bíblia como Láquis, que era uma importante cidade cananéia. De acordo com o Livro de Josué, logo depois ela foi destruída pelos israelitas no final de suas peregrinações no deserto, após o êxodo do Egito.

Com base nos achados arqueológicos, incluindo a arquitetura e a cerâmica, Khirbat er-Ra’i era principalmente um sítio cananeu, mas com forte influência filisteia, segundo Garfinkel.

“Acredito que o local era em sua maioria habitado por refugiados cananeus, que passaram a viver sob a hegemonia dos filisteus”, disse ele.

Fonte: Guia-me com informações de Jerusalem Post

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