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sexta-feira , 12 julho 2024
Ciência e Tecnologia

Zenless Zone Zero — mudança de ritmo

Zenless Zone Zero — mudança de ritmo

Zenless Zone Zero é o mais novo gacha game da miHoYo, a desenvolvedora chinesa responsável por Genshin Impact e Honkai: Star Rail, e atualmente a startup voltada a jogos digitais mais valiosa do mundo.

Com uma ambientação urbana, que remete fortemente aos títulos da série Persona, este RPG de ação traz uma boa dose de personalidade, com foco em um visual retrofuturista, animações mais variadas, e mecânicas de exploração e combate sólidas e fluidas.

Zenless Zone Zero (Crédito: Divulgação/Hoyoverse)

Zenless Zone Zero (Crédito: Divulgação/Hoyoverse)

Claro que Zenless Zone Zero, ou ZZZ, ainda segue uma série de convenções do gênero gacha, mas o estúdio de Xangai cortou um dobrado para fazer deste game o mais diferente de seu portfólio, quando comparado a seus “irmãos” mais velhos.

Hackear, lutar, relaxar

A história de ZZZ se passa na cidade de Nova Eridu, o último bastião da humanidade, que foi quase que completamente dizimada por anomalias conhecidas como Esferas Negras, que tomam áreas do planeta e corrompem todos os afetados por ela, que se transformam em criaturas chamadas etéreos, extremamente hostis.

A cidade sobrevive coletando recursos das esferas negras, que podem ser exploradas até certo limite, no que há uma agência do governo oficial para isso, e os grupos de saqueadores, que se arriscam em busca de uma grana “fácil”. Estes são os agentes, os personagens que você controla em combate, e sim, a atividade deles é basicamente ilegal.

See avatar no game são Wise e Belle (você escolhe um dos dois, como de costume), um casal de irmãos que administram uma locadora de vídeo em Nova Eridu, mas que secretamente agem como “proxies”, intermediadores que auxiliam saqueadores em suas missões. Infelizmente, a dupla perde sua identificação original graças a um hacker desconhecido, e acabam tendo que reconstruir sua identidade como proxies no submundo do zero, o que cabe ao jogador.

Diferente de outros games da miHoYo, Wise e Belle não são combatentes, sua função é agirem como navegadores e garantirem a segurança dos agentes que os contratam, evitando ao máximo riscos desnecessários. Você controla o irmão ou irmã que escolheu no mapa da cidade, mas na hora da luta, seu time é composto unicamente por agentes.

Zenless Zone Zero (Crédito: Divulgação/Hoyoverse)

Zenless Zone Zero (Crédito: Divulgação/Hoyoverse)

Como todo gacha que se preza, há os clichês de sempre como um mistério a ser revelado, envolvendo uma super IA que cai no colo de Wise e Belle, as reais motivações dos protagonistas, os segredos guardados por quem está no poder, tudo para manter o interesse dos jogadores pelo tempo que o game permanecer no ar, no que se espera que ele dure uns bons anos.

O futuro não é mais como era antigamente

Revelado originalmente em maio de 2022, e lançado em 4 de julho de 2024 para iOS, Android, PS5 e Windows, Zenless Zone Zero é o game mais diferente da miHoYo, quando colocado lado a lado com seus dois carros-chefe atuais, embora possua algumas poucas semelhanças com o mais antigo Honkai Impact 3rd.

Enquanto Genshin Impact é um RPG de ação de mundo aberto, e Honkai: Star Rail é um RPG clássico em turnos, ZZZ foca no bom e velho hack and slash, e interações sociais no ambiente urbano de Nova Eridu. Por exemplo, uma das atividades é manter sua locadora bombando, selecionando quais filmes destacar para atrair mais público.

Algumas atividades envolvem as missões diárias clássicas dos gacha games, como tomar café e comer lámen (ambos conferem bônus de status), jogar na casa de Arcade local, tentar a sorte em uma raspadinha diária (algo presente até mesmo em Final Fantasy XIV), e interagir com os NPCs e agentes, em suas missões para aumentar a confiança deles nos proxies.

As comparações com a série Persona são inevitáveis, mesmo com Li Zhenyu, produtor do game, jurando de pés juntos que a inspiração para ZZZ veio principalmente de Digimon World, o primeiro da série de RPGs com criação de criaturas baseada nos monstrinhos digitais da Bandai Namco para o PSOne, lançado em 1999; as semelhanças com a franquia da Atlus são grandes, mas o game da miHoYo tem personalidade própria.

Seja com Wise ou Belle, há bastante coisa para fazer em Nova Eridu (Crédito: Reprodução/Hoyoverse)

Seja com Wise ou Belle, há bastante coisa para fazer em Nova Eridu (Crédito: Reprodução/Hoyoverse)

Uma das similaridades com Persona é o estilo visual, com uma forte pegada na estética Y2K, que hoje é basicamente retrofuturismo. A locadora de Wise e Belle, por exemplo, trabalha não com Blu-rays (o que é antiquado por si só), mas com fitas VHS, e todas a TVs pelo cenário afora são CRTs de tubo. As roupas dos personagens seguem o mesmo estilo, mas todo mundo anda com smartphones de última geração; a trilha sonora também é inspirada no estilo technopop do início dos anos 2000, assim como a de Persona.

O mais honesto a dizer, talvez, é que tanto Persona quanto Digimon World são produtos dessa época, e também possem semelhanças entre si, daí as similaridades de Zenless Zone Zero com ambas franquias.

Sempre (um pouquinho de) Mais do Mesmo

Hora de tirar o bode da sala: Zenless Zone Zero é um gacha, e sendo da miHoYo, quem joga ou jogou Genshin Impact e/ou Honkai: Star Rail sabe o que esperar do novo game do estúdio chinês. Com algumas exceções para o início da aventura, todos os agentes são conseguidos rodando os banners (roletas) do game, assim como os motores-W, os equivalentes às armas e cones de luz dos games acima citados, respectivamente.

As raridades são as mesmas de sempre, os de classe S (ou 5 estrelas) são os mais raros, e são garantidos de aparecer após 90 pulls, gastando as moedas premium ou os itens equivalentes; no banner limitado, o agente de destaque (no momento em que esse review vai ao ar, essa seria Ellen Joe) tem 50% de chances de aparecer nas primeiras 90 rodadas, do contrário, aparecerá com 100% de chances após mais 90, sempre com possibilidade reduzida de fazê-lo antes dos limiares.

O banner permanente, assim como em Honkai: Star Rail, permite o resgate gratuito de um personagem de ranking S após 300 pulls.

Claro que mirei na Nekomata, e quem apareceu foi o

Claro que mirei na Nekomata, e quem apareceu foi o “furry” Von Lycaon; pelo menos ele é um dos “god tiers” do game até o momento, ao lado de Ellen Joe (Crédito: Reprodução/Hoyoverse)

Como todo gacha, ZZZ oferece uma quantidade limitada de recursos para rodar os banners, e embora possa ser plenamente curtido no modo F2P, quem for fanático por colecionar personagens será compelido, mais uma vez, a abrir a carteira e comprar itens para fazer os pulls, seja o óbvio Passe de Batalha (um por versão), o passe de 30 dias com entrega de itens, ou comprar diretamente.

Outra presença inevitável em um gacha da miHoYo, são os equipamentos acessórios com status aleatórios, que já se tornaram uma irritante tradição em se tratando do estúdio. Em todo RPG que se preze, mesmo em outros gachas, os bônus conferidos por equipamentos são fixos, mas tanto em Genshin Impact, quanto em Honkai: Star Rail e Zenless Zone Zero, elem possuem atribuições decididas pelo RNG, que podem significar a diferença entre essencial e lixo.

Essa mecânica força o jogador a rodar várias vezes os desafios/domínios/combates que retribuem o jogador com equipamentos, até conseguir os com a raridade e bônus desejados, gastando a energia que permite explorá-los. Ao esgotá-la, o jogador tem que esperar ela se recuperar, no que os apressados a repõem com dinheiro real.

Por fim, temos as missões diárias e semanais, os bônus de login diário, os eventos que rendem recursos, o nível de jogador, que limita o máximo dos agentes, o de sempre.

E lá vamos nós de novo, em direção ao grinding de equipamentos (Crédito: Reprodução/Hoyoverse)

E lá vamos nós de novo, em direção ao grinding de equipamentos (Crédito: Reprodução/Hoyoverse)

Agora, as diferenças. Tal qual a miHoYo fez com o público de Genshin Impact em relação a Honkai: Star Rail, a desenvolvedora acatou várias sugestões de Qualidade de Vida (Quality of Life, ou QoL) dos jogadores destes, mas implementou todas elas em Zenless Zone Zero. Uma delas, pedida há muito tempo, foi o seletor de dificuldade, que permite ao jogador apreciar a história no modo casual, sem sofrer com chefes intransponíveis e sem investir muito no upgrade dos agentes, enquanto os fanáticos por combate podem curtir o modo mais difícil.

Outra novidade é a opção de pular todas as cenas de história, no que o game oferece um resumo rápido, e arquiva todas as cutscenes para serem assistidas quando você quiser, ou tiver tempo.

Uma modificação mais técnica também foi implementada para quem joga no PC: por muito tempo, os games da miHoYo eram travados em 60 quadros por segundo (e ainda são) em plataformas que não sejam iPhones e iPads de ponta; ZZZ, por sua vez, tem uma opção de framerate “ilimitado” no Windows, que proverá tantos fps quanto sua placa de vídeo e monitor suportarem. Quem joga no PS5 ou Android continuarão no máximo de 60 fps, ao menos por enquanto.

Mas a grande mudança é mesmo estética. O nível de animação dos personagens é muito mais variado, os agentes e os proxies se mexem, pulam, fazem caras e caretas durante cenas, com apelo puxado mais para o lado cômico, o que faz de Zenless Zone Zero o game mais anime-like dos “otakus tech” que “salvam o mundo”.

Os diálogos e cenas não-interativas podem se apresentar no modo tradicional, ou com os personagens em primeiro plano, como em uma Visual Novel, ou ainda em ilustrações como em um mangá de ação.

É um game da miHoYo, claro que haverão indiretinhas (Crédito: Reprodução/Hoyoverse)

É um game da miHoYo, claro que haverão indiretinhas (Crédito: Reprodução/Hoyoverse)

O combate em si não tem muito o que inventar, mas diferente de Genshin Impact, aqui cada agente pode usar sua barra de técnica para conectar combos entre os membros do time, sempre que um inimigo for suficientemente enfraquecido, e os elementos usados também são importantes na manutenção das sequências.

Porém, o modo de exploração é bem diferente. O jogador move seu cursor por uma espécie de “tabuleiro” feito com TVs, onde ele pode coletar itens e recursos, mover peças para ativar switches, a fim de cumprir objetivos e terminar as sessões, quase sempre após um combate contra um inimigo feroz.

Há também um modo de combate multiplayer, onde é possível se unir a outros jogadores para derrotar chefes, como em Genshin Impact.

O modo de exploração é bem interessante (Crédito: Reprodução/Hoyoverse)

O modo de exploração é bem interessante (Crédito: Reprodução/Hoyoverse)

No geral, ZZZ pode ser curtido no modo despretensioso, mesmo por quem não tem a menor animação com as mecânicas de gacha, graças principalmente ao seletor de dificuldade, o que tem potencial de atrair um público bem grande, e render mais alguns milhões de dólares à miHoYo, de quem tem disposição para investir seu rico ginheiro no Jogo Como um Serviço mais novo da praça, embora alguns acreditem que o gênero está perdendo gás.

Conclusão

Zenless Zone Zero não será “o” gacha game a unir todas as tribos, quem tem asco a títulos do tipo passará longe dele também, mas dá para notar que a miHoYo se dedicou a entregar um game minimamente jogável para quem não está disposto a investir horas e horas no grinding de personagens e equipamentos.

Some-se a isso uma história suficientemente interessante, um sistema de combate enxuto, e personagens para lá de carismáticos, e temos um jogo de acesso gratuito feito para render muita grana, mas também para entreter o jogador.

Zenless Zone Zero (Crédito: Reprodução/Hoyoverse)

Zenless Zone Zero (Crédito: Reprodução/Hoyoverse)

Explorar Nova Eridu, cumprir missões e interagir com os agentes pode ser uma experiência divertida, e até relaxante em alguns aspectos, enquanto o combate permite diversas combinações para quem está disposto a investir mais no game.

No fim, Zenless Zone Zero foi criado para agradar os fanáticos por lutas, que jogam com o Excel aberto do lado, os colecionadores de waifus e husbandos, e também o gamer casual, que só busca uma aventura diferente, com ar retrofuturista nostálgico.

Zenless Zone Zero — Ficha Técnica

  • Plataforma — iOS, Android, Windows e PS5 (analisado no Windows e PS5);
  • Desenvolvedora — miHoYo;
  • Distribuidora — miHoYo (China), Nijigen Games (Hong Kong e Macau), Hoyoverse/Cognosphere (demais regiões);
  • Classificação Indicativa — 12 anos.

Pontos fortes:

  • Estética anime no 11, com pegada Y2K retrô;
  • Mecânicas de combate e exploração enxutas;
  • Várias adições de QoL interessantes;
  • Um game da miHoYo que passa dos 60 fps fora do iPhone, mas só no Windows.

Pontos fracos:

  • Sim, é um gacha, com todos os clichês do gênero;
  • Equipamentos com status aleatórios, outra vez.


Por: Ronaldo Gogoni
Fonte/URL: https://meiobit.com/464509/zenless-zone-zero-review/

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