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sexta-feira , 12 julho 2024
Ciência e Tecnologia

Super NES, Mega Drive e as conversões não oficiais

Super NES, Mega Drive e as conversões não oficiais

Embora estejam se tornando cada vez mais raros, os jogos exclusivos ainda possuem muita força, servindo para que várias pessoas optem por esse ou aquele console. Porém, quando o Mega Drive e o Super NES duelavam pela preferência dos jogadores, esses títulos eram ainda mais importantes, sendo até motivo de orgulho para quem possuía o aparelho em que eles foram lançados. Três décadas depois, graças à dedicação dos fãs, alguns daqueles exclusivos estão pulando o muro, fazendo com o que parecia impossível se tornasse realidade.

Final Fight: sai o SNES, entra o Mega Drive

Crédito: Divulgação/Mauro Xavier

Quando em 1990 a Capcom lançou o Final Fight, talvez nem seus criadores, Akira Nishitani e Yoshiki Okamoto, imaginassem que ele se tornaria tão impactante. Ainda lembro da primeira vez que vi seu gabinete em uma lanchonete, mas não faço ideia da quantidade de dinheiro que meu pai deve ter gastado naquele dia, porque foram várias e várias fichas jogadas.

Algum tempo depois, ao entrar em uma locadora, me deparei com o que parecia a realização (parcial) de um sonho. O Super NES havia recebido uma adaptação daquele fantástico jogo, mas como eu tinha um Mega Drive, fiquei só na vontade. Eu só poderia aproveitar aquele beat-’em-up em casa alguns anos depois, quando saiu uma versão para o Sega CD, mas nunca engoli sua ausência para o console da Sega.

Pois o responsável por levar o clássico para o Mega Drive é um brasileiro, Mauro Xavier. Desde 2022 o desenvolvedor tem se dedicado à conversão que já recebeu vários nomes e agora é conhecida como Final Fight MD. Contando com uma página no Patreon, o projeto já esteve perto de receber o aval a Capcom, mas segundo seu criador, a falta de um acordo com uma editora têm atrasado a produção.

“Segurei o desenvolvimento do jogo inúmeras vezes a pedido de supostas editoras e distribuidoras,” desabafou Xabier. “Eu não suporto mais ficar parado e não poder avançar com outros projetos definitivamente porque fica essa pendência de entregar um jogo que eu prometi. Vou me focar mais agora para terminar o FFMD da minha forma e entregá-lo para que não fique mais essa sensação de que o dever não foi cumprido com a comunidade.”

E o que essa versão está prometendo entregar é muito, mais muito impressionante. Com uma qualidade até superior ao jogo para o Super Nintendo, nela poderemos jogar na companhia de um amigo e escolher os três personagens. Assista o vídeo abaixo para entender o motivo da expectativa pelo Final Fight MD ser tão grande.

No início da década de 90, um dos jogos exclusivos para o Super NES e que mais gostaria que fosse levado o Mega Drive era o Super Castlevania IV. Visualmente aquela criação da Konami era de cair o queixo e embora alguns anos depois eu tenho me vingado com o espetacular Castlevania: Bloodlines (será que alguém o levará para o SNES?) só quando comprei o videogame da Nintendo que pude experimentar aquela aventura de Simon Belmont.

Durante algum tempo a Factior5 chegou a trabalhar numa conversão do Super Castlevania IV para o aparelho da Sega, na tentativa de convencer a Konami a financiar o projeto, mas isso nunca acabou acontecendo.  Então, novamente entram os fãs.

Encabeçado por GameDevBoss e Segamer, o desenvolvimento desta adaptação parece estar correndo muito bem, pois apesar da qualidade do vídeo abaixo ser ruim, podemos ver que essa versão não fica devendo muito ao original.

Em algum dia de 1996 eu entrei na locadora que frequentava em busca de algo para o Super Nintendo que tinha recém adquirido. Entre os muitos jogos disponíveis, chamou minha atenção um chamado Doom.

Embora tivesse jogado a versão do Wolfenstein 3D no mesmo console, Doom me pareceu uma besta muito diferente.  Sua trilha sonora era mais pesada, a jogabilidade mais frenética e os gráficos muito mais detalhados. Só alguns anos depois tive a oportunidade de experimentar o jogo no PC e pude entender por que algumas pessoas reclamavam da versão para o videogame da Nintendo. Mesmo assim, o simples fato daquele FPS ter aparecido no SNES sempre me pareceu um feito e tanto.

Agora, tente imaginar como seria caso a continuação também tivesse sido adaptada. Pois é justamente o que um fã conhecido como SunLit se dispôs a fazer. Quer dizer, pelo menos em parte.

Na verdade, o que o desenvolvedor conseguiu foi adaptar os dois primeiros mapas da continuação para serem jogados no Super Nintendo. Porém, “este hack usa apenas recursos já disponíveis no [1º] jogo (exceto as fases, tela título e planos de fundo entre as missões),” diz a página da criação.

Embora a impressão seja de estarmos apenas vendo o primeiro jogo com mapas diferentes (e realmente é isso), precisamos levar em consideração as limitações do hardware e que essa investida pode ser apenas o primeiro passo em direção a algo muito maior. Veremos.

O Dreamcast foi um videogame fantástico, que recebeu vários ótimos jogos, mas entre eles infelizmente não estavam os da série Metal Slug. Eis que mais de duas décadas depois, o programador Ian Micheal corrige essa falha, trazendo uma versão do clássico run and gun para o aparelho.

No Dreamcast o Metal Slug 1 Arranged roda com algumas melhorias, como um sistema para o salvamento do progresso, a possibilidade de alternarmos a região ou jogar com uma trilha sonora refeita.

É um belo trabalho, mas a “conversão” feita por Micheal que realmente me impressionou foi a do Teenage Mutant Ninja Turtles: The Cowabunga Collection. Além de suporte ao VMU, com ela temos acesso a diversos jogos lançados oficialmente, mas também a alguns criados por outros fãs, que usaram a engine OpenBOR.

As conversões produzidas pelo programador podem ser encontradas em sua página no Patreon e certamente incrementarão bastante a biblioteca de quem possui um Dreamcast.

Mas de todos os projetos voltados para levar para um console um jogo que não foi pensado para ele, acredito que o mais impressionante seja o comandado por um sujeito conhecido como Pigsy.

Por mais difícil que seja acreditar, o plano desse desenvolvedor é criar um Castlevania: Symphony of the Night para o Mega Drive, algo aparentemente impossível, mas que já conta com uma versão muito bonita. Mesmo com os muitos sacrifícios necessários para o jogo rodar num console da geração anterior a que ele surgiu, o demake nos dá um gostinho de como teria sido jogar a aventura de Alucard em um 16-bits.

No seu canal no YouTube, Pigsy descreve como tem sido trabalhar nessa conversão e suas explicações sobre as limitações técnicas daquele videogame podem ser de grande ajuda para quem pretende criar para o Mega Drive ou SNES, ou simplesmente aperfeiçoar sua técnica de desenvolvimento de jogos.

Levar o jogo de um console mais moderno para um tecnicamente inferior é uma façanha, mas o caminho contrário também pode render resultados interessantes. Um bom exemplo disse foi feito por infidelity, após dedicar dois meses da sua vida para adaptar o primeiro Metroid para o Super Nintendo.

Ao se desprender das limitações impostas pelo Nintendinho, o autor conseguiu implementar algumas melhorias nesta nova versão, com a principal delas sendo a possibilidade de salvar o progresso com até três arquivos diferentes. O detalhe é que eles ainda mostrarão quantas vezes morremos, o número de tanques de energia coletados e a quantidade de mísseis que possuímos.

Com essa versão, o jogo também ganhou suporte ao chip MSU-1, que deixa a trilha sonora com melhor qualidade e como muitas pessoas defendem, não há maneira melhor de experimentar o título que inaugurou a carreira de Samus Aran. Ela pode ser obtida aqui, assim como os outros trabalhos do seu autor.

Com o tempo, a tendência é que mais conversões como essas sejam produzidas e assim poderemos jogar em um Super NES algo que originalmente nunca deveria ter saído do Mega Drive e vice-versa. O que eu não imaginava há duas ou três décadas é que isso algum dia seria possível. Mas e você? Conhece alguma conversão que o impressionou e não foi citada aqui?


Por: Dori Prata
Fonte/URL: https://meiobit.com/464463/super-nes-mega-drive-e-as-conversoes-nao-oficiais/

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